O Panteão Nacional é um monumento erigido para homenagear e perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade. As honras do Panteão podem consistir na deposição dos restos mortais dos cidadãos distinguidos ou na afixação de lápide alusiva à sua vida e à sua obra. (Lei n.º 14/2016 de 9 de junho que define e regula as honras do Panteão Nacional)

Bimestralmente, através de uma breve resenha da sua vida e obra, iremos dar destaque às personalidades aqui homenageadas. Iniciamos este percurso com o grande político, escritor e dramaturgo romântico Almeida Garrett.

Retrato de Almeida Garrett. P. A. Guglielmi. In Frei Luís de Sousa, 1844

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, nascido no Porto, a 4 de fevereiro de 1799, educado na Ilha Terceira e depois em Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito, destacou-se na sociedade portuguesa como escritor e político.

Liberal, entusiasta da Revolução de 1820, Almeida Garrett foi obrigado a exilar-se após o golpe de 1822, no qual o liberalismo foi derrotado. Durante o exílio, primeiro em Inglaterra, onde toma contacto com o movimento romântico, e depois em França, na região do Havre, Garrett afirmou-se como um dos introdutores do Romantismo em Portugal, fixando uma viragem na literatura portuguesa, que passou a privilegiar os valores e a história nacionais.

Grande impulsionador do teatro em Portugal, promoveu a edificação do Teatro Nacional e a criação do Conservatório de Arte Dramática. Visando a renovação da dramaturgia portuguesa, escreveu e levou à cena peças de carácter histórico.

No âmbito do culto patriótico, foi de sua iniciativa a ideia de criação de um Panteão Nacional, que, à imagem dos modelos francês e inglês, homenageasse alguns dos mais insignes heróis nacionais.

Morreu em Lisboa com 55 anos, no dia 9 de dezembro de 1854. Os seus restos mortais viriam a ser depositados no Mosteiro dos Jerónimos, em 1903, sendo trasladados para Santa Engrácia em 1966, aquando da inauguração do monumento como Panteão Nacional.